sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cinza.

 

A tarde fria foi tomada por uma chuva fina que molhava cada canto daquela cidade. Ela passou por mim, corpo jovem encoberto por um sobretudo cinzento. As mãos tomadas por sacolas e se esforçando para equilibrar uma bela sombrinha que erguia para se proteger.

Sua cabeça pendia para frente,olhar fixo no chão e distante, enxergando muito além do que havia, numa divagação solene. Não havia tristeza, só um ar superior fascinante.

Os sons das pessoas protegendo-se sob as marquises, o barulho do motor dos carros, a balbúrdia da vida da cidade a envolvia, mas não a alcançava. Ela não pertencia àquele ambiente.

Sua passagem motivava comentários.

Alguns viam nela arrogância, outras desejavam seu toque, havia quem fingisse ignorá-la, mas era impossível não perceber a beleza de sua altivez.

À distância ela virou a esquina e eu a perdi de vista. Naquela noite eu a esqueci, sem nunca tê-la conhecido de fato.

- Fruto de uma tarde chuvosa e solitária.

(segunda versão que me esforcei para fazer, após ter perdido, por um clique errado, a primeira, que saira como uma convulsão de dor)

Um comentário: