“Pobre do povo que precisa de heróis”Bertold Brecht
Desde a eleição do presidente americano, fiquei preocupado com o jeito que ele tem sido tratado como o Salvador e o superherói…
Preciso dizer mais?
heheeh
Jota.
A instável - ou insustentável - trilha da sanidade. Entre o deleite e o delírio.
Desde a eleição do presidente americano, fiquei preocupado com o jeito que ele tem sido tratado como o Salvador e o superherói…
Preciso dizer mais?
heheeh
Jota.
Uma das maiores marcas da vida adulta é a necessidade de tomar decisões.
Da escolha do que vestir, do que comer, da profissão, das prioridades, de sustentar, ou não, um relacionamento.
Escolher continuar pode ser o melhor em alguns momentos, mas saber quando parar de caminhar também é importante.
A dor que vem da escolha, da palavra dita ou não, de não estar mais dentro ou sentindo algo que sempre sentiu.
Encaremos nossa dor, vivamos como seres completos, não escondidos de nós mesmos.
Jota.
Hoje fiquei pensando no quanto o teatro serve de metáfora pra forma que vivemos nossas vidas.
Muitos de nós nos acostumamos a viver como nas peças gregas, com máscaras sociais tão fortemente presas em nossas faces, que sequer lembramos quem somos de fato. As máscaras escondem quem somos para o mundo, mas também escondem a verdadeira beleza do mundo para nossos olhos.
Alguns se viciam, por necessidade, por conveniência, por dor, por prazer em se comportar do jeito oposto ao que são, como formas vazias e sem nexo. Gestos artificiais, palavras sem sentimento, uma peça com atores ensaiados, mas que não comovem.
Outros, deixam o palco da vida, das lutas, dos embates, das epifanias, do risco para alguns poucos e se acostumam a ser figurantes, meros rostos e sussurros no fundo da vida de outros. Vivem no automatismo do dia-a-dia, sem deixar – ou sem que outros deixem – que sua criatividade e potenciais aflorem.
Sinceramente, quero fugir de máscaras. Quero buscar a sinceridade, olhos nos olhos, a fala de coração aberto. Quero a verdade no ato e no fato.
Entretanto, se estou de fato no teatro da vida, não posso me contentar em ser figurante na minha história. Tenho que ser o protagonista, o que transforma e é transformado, o que não se conforma, o que quer mudar o mundo, o que vive, de fato.
Abraços a quem me lê.
Jota.



"Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margarida. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
- E o pai e os irmãos da donzela saíramm atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida - gritaram os aldeões. - Matem-no!
- Esperem! - gritou o homem, no momentoo em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo "Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor". E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: "Rameira! Impura! Diaba!" e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. E eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador."
Luis Fernando Verissimo
Acredite ou não, eu uso esse conto pra começar a falar de História em minhas aulas...
Abração a quem lê
JOTA
P.S.: O texto é dele sim.
"O Analfabeto Político
Bertolt Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."
Desculpa a citação meio longa, mas acho esse texto um dos melhores pra começar a falar de política.
As eleições realizadas a menos de uma semana, em mais de 5400 municípios, merecem comentários pois foram palco de situações importantes e curiosas.
Comecemos com a agilidade desse último processo eleitoral, afinal em Juiz de Fora, em pouco mais de três horas de apuração - às 20h27, já havia um resultado. Coisa inédita se levarmos em conta que nos tempos de voto em cédulas, chegava-se a ficar três dias apurando votos. Realmente temos que elogiar a eficiência desse processo!
Achei curioso a votação expressiva em Margarida Salomão (PT) e em dois vereadores: Bruno Siqueira (PMDB) e Rodrigo Mattos (PSDB). Tenho a impressão que há uma mudança na forma de votar da população, afinal sempre se votou de forma tradicional na cidade, ou seja, em velhos políticos que todos já conhecem.
Mesmo que eles tenham ligações familiares na política, os dois vereadores são jovens e conseguiram a confiança de boa parte da população, o que pode apontar uma opção pela mudança na cidade, talvez uma nova consciência política.
Ah, quer entender o processo de eleição de prefeitos e vereadores, clique aqui
Abração a quem lê.
JOTA.

Fim de tarde, sentou-se na varanda e olhou a cidade.
Telhados já velhos e gastos o circundavam, antenas cobriam a paisagem e ao fundo, além do rio, via-se a área central, com seus arranha-céus orgulhosos.
O bairro era tranqüilo e simples é verdade, mas guardava dignidade e uma história. Já fora a área nobre da cidade, mas isso quando o café e a via férrea eram especiais e por suas ruas circulavam os belos senhores de terno e formosas senhoras de chapéu. Hoje não há mais brilho e status, só paredes gastas e mofadas, telhados escuros, famílias sem passado, cortiços com seus varais espalhados e jovens moças com poucas roupas.
Tantas foram as vidas que por ali passaram, um cenário de tantas histórias e cores que nunca voltarão a ser vistas, incluindo algumas que a maioria evitará lembrar.
Na rua abaixo três garotos jogavam bola descalços, num terreno baldio no outro quarteirão um grupo soltava pipa, pela janela da casa em frente ouvia-se duas meninas que riam e brincavam, no sobrado da esquina um casal de velhinhos conversava numa lentidão de viver. Vidas pequenas, vidas comuns... Comédias curtas e tragédias anônimas, fábulas nunca anotadas e que jamais serão conhecidas.
A vida tem esse tom paradoxal, de tanta que há a nossa volta deixamos de notá-la, de tanto que nos povoa e nos chama, deixamos de ouvi-la, de tanto que nos tortura não a sentimos em sua plenitude.
E quando a vemos, sentimos e mais a desejamos, ela está no fim...
(Texto de 09 de Setembro de 2005, uma tarde de nostalgia sem sentido, na qual a dor e prazer de viver gritam por dentro)