domingo, 7 de novembro de 2010

Os Degraus – Mário Quintana

Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas os sotãos – onde

Os deuses, por trás de suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco esse nosso mundo…

Jardim Interior

 

Todos os jardins deviam ser fechados,

com altos muros de um cinza muito pálido,

onde uma fonte

pudesse cantar

sozinha

entre o vermelho dos cravos.

O que mata um jardim não é mesmo

alguma ausência

nem o abandono...

O que mata um jardim é esse olhar vazio

de quem por eles passa indiferente.

(Mário Quintana)

Hoje

 

Nessa tarde sem rumo, eu pensava em você.

Em seu olhar que ilumina e afasta minhas sombra interiores.

Em sua voz, que me alcança no mundo dos sonhos e diz palavras de um doloroso prazer.

Em seu toque, que me queima, que me arde, que eu anseio a cada minuto…

Em sua alma, que honro, que admiro, que amo.

 

A você, todos os meus dias

domingo, 31 de outubro de 2010

Não adianta, eu insisto.

“Quantas vezes minha esperança será posta à prova?(…) Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? (…) Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?…” (Elisa Lucinda)

Honestidade.

Integridade.

Boa vontade.

Idealismo.

Força de vontade.

Esforço pessoal.

Perseverança.

Humanismo.

Desapego.

Desprendimento.

E vou vencer.

 

obs.:

- E não, não me refiro às eleições.

- Ao som de “Coisa da antiga – Clara Nunes”

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cinza.

 

A tarde fria foi tomada por uma chuva fina que molhava cada canto daquela cidade. Ela passou por mim, corpo jovem encoberto por um sobretudo cinzento. As mãos tomadas por sacolas e se esforçando para equilibrar uma bela sombrinha que erguia para se proteger.

Sua cabeça pendia para frente,olhar fixo no chão e distante, enxergando muito além do que havia, numa divagação solene. Não havia tristeza, só um ar superior fascinante.

Os sons das pessoas protegendo-se sob as marquises, o barulho do motor dos carros, a balbúrdia da vida da cidade a envolvia, mas não a alcançava. Ela não pertencia àquele ambiente.

Sua passagem motivava comentários.

Alguns viam nela arrogância, outras desejavam seu toque, havia quem fingisse ignorá-la, mas era impossível não perceber a beleza de sua altivez.

À distância ela virou a esquina e eu a perdi de vista. Naquela noite eu a esqueci, sem nunca tê-la conhecido de fato.

- Fruto de uma tarde chuvosa e solitária.

(segunda versão que me esforcei para fazer, após ter perdido, por um clique errado, a primeira, que saira como uma convulsão de dor)

domingo, 19 de setembro de 2010

Meu caramujo é um suicida reincidente

Acredite se quiser, mas Gary – meu caramujo mais velho – saltou outra vez para fora do aquário…

Segunda tentativa de suicídio em poucos meses. Acreditem, ele não é maltratado, ok? Pior que depois eu fico olhando durante horas pra ver se está tudo bem com eles, hehehe

Se houvesse terapia para moluscos, ele estaria em tratamento intensivo…

O mais incrível é que ele pode ter ficado um dia inteiro fora do aquário e ainda sim sobreviveu, fechadinho em sua concha.

E eu que comprei o aquário pensando em relaxar, hehehe.

Eis uma foto da espécie dele.

 

Abraço a quem me lê.

sábado, 18 de setembro de 2010

Contar Histórias

“Ah, Minas Gerais, Minas Gerais! Minas não é entender: aconteceu…”

Contar histórias é uSN-GRANBERY_CONTADORES_H...AS_PALAVRA_MINAS_PANFLETO_ma arte que demanda treino e generosidade, pois alcançar o tom certo, o ritmo ideal, escolher as melhores histórias, sentir cada palavra que se conta e envolver o público não são conquistas simples.

Minha profissão exige que tente a cada dia ser melhor nessa atividade abençoada e antiga de contar o passado e as verdades e ilusões já ditas.

Tive o prazer e a alegria esse ano de fazer parte de um grupo de Contadores de Histórias  e venho aprendendo demais sobre essa arte.

Essa semana, estreiaremos a peça “Palavra Minas”, sobre a terra de nossa infância, com suas pequenas cidades, casas de avós, amigos sempre presentes, perdida no meio de morros.

Um espetáculo feito com muito carinho e dedicação para o qual convido a todos para conhecer e nos prestigiar.

Os Contadores de Histórias do Granbery apresentam:
"Palavra Minas"
Dias: 23,24,26 e 30/09 às 20h
25/09 às 18h e às 20h. 1º/10, às 10h e às 20h
Local: Instituto Metodista Granbery
ENTRADA FRANCA!
Os ingressos deverão ser retirados de segunda à sexta, das 9h às 18h, na Livros e Cia.-Av.Independência 766

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um aquário.

“Canto uma canção bonita, falando da vida em ré maior…”

Na sala de minha casa há um aquário.peixes

Passo horas observando meus peixes e seu movimen to aleatório. Em seu pequeno mundo vivem suas curtas vidas sem grandes preocupações. O mais tenso e emocionante momento ocorre quando dois machos resolvem disputar o território e controle da grande fêmea que domina o aquário.

Ainda há dois caramujos (Gary e Roberta) e uma lagosta (Sauron). Tímidos e de ritmo mais lento, pouco se manifestam ou se movimentam pelo ambiente. Vivem em seus refúgios e só exigem comida às vezes para viver.

Um aquário é uma atividade apaixonante. Por mais que a maioria encare-os como simples peixes, pra mim são seres muito vivos, compartilham meu apartamento comigo. Nove deles nasceram nos últimos dois meses, um dos caramujos, Gary, já tentou até suicídio – ok, ele só caiu do aquário, mas tenho que fazer um drama.

O prazer maior é talvez o de acompanhar o crescimento a evolução do aquário, das plantas que crescem e precisam ser podadas, dos peixes arredios ou violentos que precisam ser separados, dos alevinos que precisam de proteção, da responsabilidade de alimentá-los nas horas corretas e das formas corretas.

Um aquário, só isso.

*Musica do momento: Léo e Bia – Oswaldo Montenegro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A dama.

Ela caminhava pela estrada de terra naquela noite escura.

Não havia lua, nem vento.

Seus passos, rápidos e tensos, como quem deseja correr, mas já não tem mais forças para fazê-lo.

As mãos suadas se apertam em garra sobre o peito, que arfa sufocando um desejo de gritar intensamente.

O sangue machando seu longo vestido está quase seco, marcando seu colo exposto .

- Eu tinha o direito – repete mentalmente.

O silêncio a envolve. A noite a abraça.

Nunca mais voltará.

Sonhos Desfeitos

Dentro de nós, sonhos mortos apodrecem em charcos profundos.

Caveiras alguns, múmias outros, zumbis sem vontade na maioria, assim habitam dentro de nós os desejos e anseios perdidos do passado.

Alguns nunca foram alimentados, natimortos malditos.

Crianças descanardas perambulam por nossa psiquê, desejosos de quem lhes tire a orfandade moribunda.

Fantasmas sem vontade, assombram nossos corações, pelo que poderia ter sido e nunca foi de fato.

Devaneios, sonhos de um dia, objetivos abandonados, delírios e visagens… todos morrem, um dia.